Quer saber minha opinião sobre o fim da paradinha? Demorou até demais, FIFA! Paradinha, independente do jogador que arruma a pelota na marca da cal, é atitude humilhante, atestado de incompetência.
Eu acho muito irônico os jogadores de futebol utilizarem a paradinha justo na oportunidade que eles mais cobiçam ter durante os 90 minutos de todo santo jogo disputado. Toda e qualquer jogada dentro da área, basta um encostãozinho de leve para os atacantes mergulharem pedindo que o árbitro marque a penalidade máxima. Claro, é - ou deveria ser - o método mais fácil de marcar um gol, o grande momento deste esporte.
Mas não. Mesmo com a bola parada e apenas um adversário entre ela e a rede, a moda hoje - e há muito tempo - é refugar durante a cobrança para tentar deslocar o arqueiro, facilitando [muito fucking mais] a vida do cobrador.
Pois eu pergunto: se o jogador, profissional de futebol - que treina todo santo dia e ainda recebe rios de dinheiro para fazer somente isso -, precisa enganar o goleiro na hora de cobrar um pênalti, é porque ele não está preparado. E, se não está preparado, que passe a responsabilidade para outro companheiro de time que tenha preparo o suficiente para botar a pelota para dentro do gol sem frescura.
Pênalti é para quem tem preparo técnico, físico e mental. A técnica não se conquista, já se nasce com ela. O que pode acontecer é do sujeito apurá-la treinando árdua e insistentemente, como o Galinho de Quintino fazia. Treinava cobranças de falta exaustivamente de todas as maneiras imaginárias. O preparo físico é na rotina de qualquer atleta decente. Correr, pular, chutar, malhar, nadar. Se exercitar para entrar na forma física ideal para aguentar, no mínimo, 90 minutos de futebol sem botar a língua de fora. Já a mentalidade, essa é para aqueles que sabem que possuem técnica apurada o suficiente para desiquilibrar uma partida em um momento de risco e, além disso, que estão com o preparo físico em dia para firmar as pernas e o corpo do jeito que sabem para não se atrapalhar na hora H do arremate. É não se desesperar em uma hora de aperto, um empate não esperado aos 43 do segundo tempo. É saber prender a bola enquanto vence a partida nos acréscimos mesmo tendo um ou dois jogadores a menos que o adversário.
Pênalti é o momento que qualquer jogador de futebol se propõe a participar em um jogo. Defender o pênalti, de maneira alguma. O goleiro que se vire. Mas cobrar, pode deixar comigo que eu garanto.
Mas hoje, a maioria dos que se garantem, precisa manobrar o carro antes de se alocar na vaga. A maioria prefere reduzir a marcha na reta final da corrida. A maioria acredita ser majestoso o ato covarde de tripudiar do goleiro, que é o mais injustiçado na cobrança de uma penalidade durante o jogo de futebol. O goleiro, coitado, que nada teve a ver com a infeliz jogada de um volante ou zagueiro atrapalhado. O goleiro, pobre atleta, ele que se vire para salvar a pátria e o clube que defende.
O goleiro, que está tão distante das traves, e mal pode se mexer enquanto o jogador não encosta na bola.
O goleiro, que passa a maior parte do jogo parado, andando de um lado para o outro, sem ter com quem conversar. No máximo, grita com os defensores de seu time, só para alertá-los de uma possível jogada adversária.
O goleiro, veja só, que não pode dar um passo sem levar bronca do juiz.
Se pisca o olho, a cobrança é anulada e tal.
Além de tudo isso, o goleiro ainda tem que aturar gracinha de jogador incompetente e covarde com essa tal de paradinha. E ainda vira motivo de chacota se cai no chão. Justo ele, que não pode esticar o prazo fora da marca que é repreendido.
Mas o cobrador, imagine, pode até plantar bananeira que não há problema. O importante é botar a bola no fundo do gol. Mesmo que, nesta peleja, seja somente ele e o goleiro. Faça uma cena imaginada por Shakespeare, mas faça o gol.
Só que agora, amigos, a FIFA proibiu. E essa será a hora dos verdadeiros jogadores de futebol postarem a voz e chamarem para si a responsabilidade na hora da penalidade máxima. Que Neymar deixe para Ganso, verdadeiro dono da bola do Santos. E que o Djalminha não trate de inventar paradinha rotatória no futebol society para ex-profissionais, pois nem lá o goleiro merece passar por isso.
Futebol é, sobretudo, para quem sabe.
E quem sabe faz direito e direto.
Sem paradinha nem paradona.
Ele simplesmente vai lá.. e faz!
terça-feira, 18 de maio de 2010
o fim da paradinha
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