domingo, 5 de julho de 2009

Go Roger

Não que eu seja o maior [e melhor] entendendor do assunto. E não, também, que eu tenha torcido contra o Roddick. Mas foram quase cinco horas de puro "Federerismo". Após tanto tempo tendo de engolir o dopado do Rafael Nadal levar tudo quanto é título, ficamos carentes das vitórias do Roger Federer. O espanhol foi montado prá vencer, uma espécie de Cristiano Ronaldo pro futebol, ou um Lewis Hamilton na Fórmula 1. Não que não mereçam o sucesso em suas categorias, mas foram projetados para vencer desde novos. Não é uma coisa "trampava no balcão da padaria e resolvi tentar a carreira como esportista". Ao contrário! Ou seja, não faz mais que a obrigação ser vencedor em seu ofício. Mas esta vitória é, sim, vencedora, porém não categórica. Não enche os olhos, não causa arrepio aos espectadores, não deixa escapar o sorriso no canto da boca dos fanáticos pelo esporte.


Numa disputa Cristiano Ronaldo e Garrincha, quem será que levaria a melhor? Muito provavelmente, o português sairia na frente, por seu físico, seu fôlego, seu sprint. Mesmo assim, o Mané seria considerado o merecedor, por sua dança, sua malemolência e sua graça. Ele nasceu prá fazer aquilo. O outro, não. O outro foi projetado para fazê-lo. É essa a diferença.

O que é mais legal? Lewis Hamilton ser campeão com um carro excelentemente produzido, sem falhas, sem quebras - que, mesmo com vários erros do piloto, o levaram ao topo? Ou ver Ayrton Senna quase se matar - literalmente - em um Grand Prêmio dentro de casa com apenas duas marchas no carro, pelo puro prazer de vencer e poder, mesmo sem forças, erguer o troféu diante de sua torcida?

É quase a mesma coisa no tênis, hoje. Rafael Nadal é uma máquina. Forte, rápido, viril. Consegue salvar bolas humanamente indefensáveis. Rebate na esquerda, cai no chão, e mesmo assim se reergue a tempo de rebater a bola no outro lado da quadra - e ainda assim vencer o ponto. Independente de seu indiscutível potencial, Roger Federer, na minha humilde opinião, é de longe o melhor tenista desta época. É ele quem nos deu o prazer de substituir o talento de Pete Sambras. Só ele teve essa honra. Só Roger teve braço [e pernas] para correr atrás desta marca. Suas jogadas são brilhantes. Transmitem uma leveza incrível, mesmo ao salvar um saque impossível do apelão do Andy Roddick. Não que o americano seja ruim, longe disso. Aliás, eu até torço por ele - quando seu adversário não é brasileiro ou, claro, o Roger.


Roger é uma nação inteira.
Roger faz qualquer um torcer por ele.
Roger não foi preparado para jogar.
Roger nasceu para jogar.
Roger tem o dom!
Roger é o cara!!

[ fotos: The Official Web Site Wimbledon ]

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